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No centenário da morte de João do Rio

Querido João, Hoje é teu centenário. Você há de perdoar o nosso silêncio – de repente, qualquer celebração se torna uma obscenidade diante da marca recém-atingida de quinhentas mil vidas brasileiras perdidas. Isso se puder perdoar, antes, o teu povo abandonado por Deus e desmemoriado por natureza – que tampouco te fez justiça em vida,Continuar lendo “No centenário da morte de João do Rio”

Convalescentes

Logo depois da chuva, o asfalto ainda brilha, mas já foi pisoteado como se deve. Alguns pedaços de luz rasgam caminhos no céu – afinal são só quatro da tarde e eles sabem que o dia ainda está longe de acabar.  Em frente ao museu, rostos cobertos de máscaras e protetores plásticos. Quantidades obscenas deContinuar lendo “Convalescentes”

Anacrônica

Pra direita, um esboço de praça e restinhos de vila. Pra esquerda, o bairro gentrificado, o tráfego de avenida e a vila que já não é vila, como escreveu Aldir Blanc. Esquerda, afinal. Entre dois condomínios, um portão sopra o R arrastado do interior e guarda um trecho anacrônico de terra batida. Ao lado doContinuar lendo “Anacrônica”

O fio do novelo

Para Mauro Calliari Endereço do hostel no bolso, celular carregando no quarto – afinal, não há roteador que capte sinal de internet nas ruas de terra sinuosas de Nagarkot. A própria chegada envolveu carregar as malas por um estreito trecho a pé, onde apenas alguns tuk-tuks barulhentos, frágeis e fumacentos insistem em entrar. Olhos atentos,Continuar lendo “O fio do novelo”

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